top of page

TRIEB

Revista da SBPRJ

 

TRIEB-retratos.png
CAPA.png
Capa pandemia-1.png
TRIEB_Silencio_capa.png
WhatsApp Image 2021-12-08 at 15.01.50.jpeg
WhatsApp Image 2023-02-08 at 17.38_edited.jpg
CAPA_TRIEB_HISTORIA_ok5.png
CAPA_TRIEB_PRESENCAAUSENCIA_OK.png
CAPA TRIEB-PERVERSOES-ok2-bookmarks.png
capa TRIEB Colapso.png
2026 NOVO BANNER (3).png

Carta-convite para publicar

O que nos torna humanos?
A dor do eu no mundo atual

“Somos ameaçados pelo sofrimento a partir de três direções: do nosso próprio corpo, que está condenado à decadência e à dissolução; do mundo externo, que pode se voltar contra nós com forças de destruição avassaladoras e impiedosas; e, por fim, de nossas relações com os outros. O sofrimento que provém desta última fonte talvez seja mais doloroso para nós do que qualquer outro.” (Freud, 1930)

As ideias de Sigmund Freud, em O Mal-Estar na Cultura, demonstram que a relação da psicanálise com o sofrimento humano é estrutural e longeva. Embora Freud identifique três fontes de dor, é na relação com o outro que ele se concentra ao abordar os vínculos socialmente construídos, os traumas grupais, as guerras e o mal-estar produzido por laços hostis.

Ao afirmar que o sofrimento mais doloroso provém das relações humanas, Freud antecipou o que hoje a ciência descreve como “dor social”: o impacto psíquico e também físico da rejeição e da exclusão social, que resultam na perda de vínculos significativos.

No cenário atual, marcado pela presença constante das redes sociais, essa dinâmica se intensifica. As plataformas digitais ampliam exponencialmente as possibilidades de comparação, validação e rejeição. Fenômenos como o cancelamento público ilustram formas ainda mais intensas de dor social. Uma mensagem não respondida, a ausência de “likes”, o silêncio diante de uma postagem tornam-se microtraumas de exclusão que, repetidos ao longo do tempo, produzem desgaste emocional significativo. A perda de pertencimento, que em termos evolutivos sempre representou um risco à sobrevivência, é hoje vivida em escala global e com efeitos duradouros.

Essa lógica da dor social não se limita às experiências individuais; ela se expande de forma ainda mais dramática nos fenômenos coletivos. As guerras, amplificadas no terreno digital, além de produzirem vasta destruição material, intensificam a dor social por meio de rupturas profundas de pertencimento, identidade e reconhecimento. Desde a Segunda Guerra Mundial, regimes fascistas têm feito uso crescente de tecnologias de destruição em massa incluindo armas químicas e nucleares e de práticas de tortura, inclusive psicológica, evidenciando como a violência entre grupos humanos pode gerar formas disseminadas de transmissão intergeracional do sofrimento social, nas quais a exclusão do outro é levada ao limite da desumanização.

Recentemente, durante a pandemia, fomos atravessados por uma experiência mútua e horizontal de sofrimento social, caracterizada por ameaças corporais e psíquicas. Muitos perderam pessoas, famílias, empregos. O sofrimento se fez presente em todas as formas de convívio social – e, sobretudo, na ausência desse convívio. De caráter traumático, a realidade que se impunha deu lugar a tentativas de elaboração. As terapias tornaram-se a morada ambígua da dor individual e social.

Proliferaram atendimentos e iniciativas voltadas à elaboração das dinâmicas de exclusão. Diante de políticas sociais restritivas e demandas de cuidado coletivo, fomos lançados, em nosso fazer psicanalítico, a repensar a ideia sacralizada de neutralidade, substituindo-a por um olhar sensível à dor compartilhada com nossos pacientes, ancorado nas vivências atuais do mundo.

No campo da ciência política, a dor deixa de ser apenas uma experiência individual e passa a ser compreendida como um fenômeno estrutural e coletivo, produzido por instituições, políticas públicas e relações de poder. Um conceito central nesse campo é o de reconhecimento, desenvolvido por Axel Honneth. Para ele, grande parte dos conflitos sociais decorre de experiências de desrespeito – quando indivíduos ou grupos não são reconhecidos em sua dignidade, identidade ou direitos.

Nesses casos, o sofrimento não decorre de episódios isolados, mas de experiências repetidas de exclusão, inferiorização e ameaça simbólica ou concreta. Trata-se de uma dor produzida pela falha no reconhecimento, gerando insegurança profunda quanto ao próprio direito de existir. Esses mecanismos sociais se manifestam por meio de formas de ódio como o racismo, a misoginia e a xenofobia.

Outro eixo importante é a relação entre dor social e desigualdade. Segundo Amartya Sen, não é apenas a pobreza material que importa, mas a privação de capacidades — ou seja, a impossibilidade de participar plenamente da vida social e política. A exclusão, nesse sentido, não é apenas econômica, mas também simbólica e relacional, produzindo sentimentos de invisibilidade e humilhação.

A dor do eu, como dor social, já vem sendo delineada no pensamento de diversos psicanalistas.

Convidamos os colegas a pensar, escrever e compartilhar suas experiências clínicas, teóricas e institucionais. Interessa-nos explorar como a psicanálise se posiciona frente a um mundo em que a dor é, ao mesmo tempo, íntima e coletiva, singular e política.

Em tempos marcados por polarização, instabilidade e intensificação dos afetos, a psicanálise reafirma sua potência como espaço de elaboração? Um espaço onde ainda é possível transformar sofrimento em pensamento, ruptura em vínculo, silêncio em palavra?

Convidamos você a participar.
A escrever.
A tensionar.
A criar.
Porque, talvez mais do que nunca,
pensar a dor
é uma forma de resistir.

Equipe Editorial Trieb


 

Data limite para submissões: 8 de agosto de 2026.
Convidamos você a enviar seu artigo para avaliação usando o link abaixo:

A revista TRIEB publica artigos originais sobre teoria e clínica psicanalítica, além de articulação da Psicanálise com outros campos do saber. A TRIEB também publica conferências, entrevistas, traduções, artigos de valor histórico e resenhas de interesse para o campo da Psicanálise. A partir de 2019 as edições passaram a ser integralmente digitais.

 

Em tempos de perdas de algumas utopias, a construção de ideais é pertinente. Partilhar saberes e democratizar o conhecimento para que não sejam excludentes, encastelados ou hierárquicos tornou-se um alvo da revista. Desse modo foi criada a Nova Série da TRIEB.

 

A SBPRJ vem mostrando sua capacidade de se movimentar em várias frentes do campo social e de conhecimento, ampliando seus horizontes. Afinados com esse projeto o Conselho Editorial da TRIEB inclui membros que pertencem a diferentes campos do saber, pessoas que merecem o atributo de distinção em suas áreas e mantêm um olhar curioso em relação ao conhecimento. Promover a circulação de ideias, a troca de conhecimentos e desenvolver o pensamento crítico é o objetivo da TRIEB.

A Psicanálise é o cerne de nosso trabalho e, a partir desse núcleo identitário, conclamamos outras vozes para ouvir e ser ouvidas.

 

Conquistado o 1º índice de indexação, INDEX PSI PERIÓDICOS, o caminho é elevar o conceito e o reconhecimento da revista.

Edições digitais

capa TRIEB Colapso.png

TRIEB Colapso, volume 24, nº2, 2025

CAPA TRIEB-PERVERSOES-ok2-bookmarks.png

TRIEB Perversões, volume 24, nº1, 2025

CAPA_TRIEB_PRESENCAAUSENCIA_OK.png

TRIEB Presença / Ausência, volume 23, nº1, 2024

Assista ao vídeo da apresentação desta edição!

CAPA_TRIEB_HISTORIA_ok5.png

TRIEB História, volume 22, nº2, 2023

Evento de lançamento 23/05/2024

CAPA_TRIEB_TEMPO_OKfinal4-1.png

TRIEB Tempo, volume 22, nº1, 2023

Assista ao vídeo do lançamento

WhatsApp Image 2023-02-08 at 17.38_edited.jpg

TRIEB O Psicanalista, volume 21, nº2, 2022

Assista ao vídeo do lançamento

Trieb_Testemunho.png

TRIEB Testemunho, volume 21, nº1, 2022

TRIEB Silêncio, volume 20, nº1, 2021

Assista aos vídeos do lançamento

Capa pandemia-1.png

TRIEB Pandemia, volume 19, nº1 e 2, 2020

Assista aos vídeos do lançamento

CAPA.png

TRIEB Fronteiras, volume 18, nº1 e 2, 2019

Assista aos vídeos do lançamento

 

TRIEB-retratos.png

TRIEB Retratos

 

Edição Especial 60 anos, 2019

Sumário das edições anteriores

bottom of page