Projeto Travessia

O Projeto

O projeto travess!a consiste em um conjunto de ações desenvolvidas com o objetivo de constituir espaços não hierarquizados e de liberdade de expressão, potencializando a reflexão colaborativa e a criatividade a partir das inter-relações entre cultura, educação e saúde integral. É uma realização da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro – SBPRJ, através do Programa de Psicanálise e Interface Social – PROPIS, em parceria com organizações governamentais e não governamentais, universidades, escolas, centros culturais, associações e comunidades.

Sobre nós

Com quase dez anos de existência, o projeto travess!a integra as atividades desenvolvidas pelo PROPIS, mediante serviço psicológico em grupo e individual, buscando potencializar projetos educativos e culturais, favorecendo condições ao aprendizado escolar e melhorando a sociabilidade da população. Nosso projeto busca o desenvolvimento de ações favoráveis à promoção, à proteção e à recuperação de saúde integral e melhoria da qualidade de vida de populações vulneradas.

Ao longo de nossa história priorizamos os trabalhos em grupos, devido ao entendimento de que a contenção grupal é um fator propulsor da elaboração psíquica individual. Através de diferentes identificações e vínculos emocionais, o espaço grupal possibilita novas experiências de sociabilidade, o exercício das trocas intersubjetivas, a construção de novas narrativas, a mudança de organizações defensivas precárias, bem como o resgate da capacidade de sonhar e fantasiar.

A dinâmica dos grupos se organiza a partir de estímulos semiestruturados ou de sugestões espontâneas. São utilizados diferentes recursos e linguagens para facilitar a atitude reflexiva dos seus diferentes participantes. Propomos ações de cuidado organizadas de modo a conjugar a escuta psicanalítica à criação artística, por esta se apresentar como possibilidade de reversão de estados de impotência frequentemente presentes em situações emocionais extremas.

A arte tem a capacidade de fazer do excluído, da tragédia e do impensável elementos importantes dos impulsos criativos. A imaginação e a interpretação das diferentes manifestações artísticas favorecem a criação de um sentido compartilhado que orienta a construção da subjetividade. Pensar assim é acreditar que a criação artística se apresenta como suporte de elaboração e de reposicionamento transformador diante de situações trágicas e extremas da existência.

A cada nova proposta de trabalho os desafios se complexificam, de modo a exigir reflexões de nossas motivações éticas, sempre pautadas pela responsabilidade social em saúde pela inserção da psicanálise no amplo movimento de educação e prestação de cuidados. A responsabilidade social (social accountability) acarreta a criação de um novo paradigma de excelência para as instituições, melhoria de qualidade, redução de descompasso com as prioridades sociais, redefinição dos papéis dos profissionais de saúde, compromisso em trabalhar em parceria com diferentes atores para a construção de políticas e estratégias para o sistema de saúde mais responsivo às necessidades sociais atuais e futuras.

EQUIPE

 

Coordenadora: Maria Teresa Naylor Rocha

 

Membros: 

Aline Gonçalves Demantova

André Luiz Alexandre do Vale

Bruno Figueiredo Castro

Eliane Marcellino da Silva

Flávia Costa Strauch

Maria Teresa Silva Lopes

Marina Deschamps Silveira

Sônia Versovsky de Almeida

Renata Azevedo Teixeira

 

Extensionistas:

Victor Hugo Lara

Yasmin Tannuri

 

Colaboradores:

Alexandre Guarnieri

Ethel Resch

Luiz Claudio Mendonça Figueiredo

Maria Elisa Alvarenga

Marta Rezende Cardoso

Renata Martinelli Duarte

Renée Douek

Sergio Zaidhaft

História

2001-2003

Programa radiofônico “Escutando a criança”, rádio Viva Rio

 
 
2003-2007

Projeto “Vi Vendo a Cidade” em parceria com o CCBB, outras instituições culturais e ONGs. Patrocínio de FURNAS por 2 anos.

 

 

2003-2007

Projeto “Vi Vendo a Cidade” em parceria com o CCBB, outras instituições culturais e ONGs. Patrocínio de FURNAS por 2 anos.

 

 

2009-2010

Projeto “Ações integradas de cuidado em áreas vulneráveis”, com atuação em parceria com a ONG Casa das Artes no Morro dos Macacos, Vila Isabel.

 

Durante dois anos, a equipe do projeto travess!a desenvolveu atividades junto a crianças e adolescentes no Morro dos Macacos em Vila Isabel. O projeto “Ações integradas de cuidado em áreas vulneráveis” toma como inspiração a estratégia do Ministério da Saúde de trabalho em rede entre instituições acadêmicas, instituições científicas, ONGs, serviços, lideranças comunitárias e sociedade civil, visando construir modelo de assistência ou de cuidado em sua integralidade. Sustentado em experiências realizadas desde 2003, ele visa à conjugação de ações de cuidado em saúde mental, educação e cultura. Seu norteamento à noção de cuidado espelha o modelo utilizado pelo movimento de saúde do país.

A noção de cuidado pressupõe o desenvolvimento de estratégias numa visão ampla da dimensão da vida da pessoa como indivíduo e como membro da coletividade. O projeto se propõe a desenvolver ações favoráveis à promoção, à proteção e a recuperação da saúde mental e melhoria da qualidade de vida. Pela complexidade da tarefa se faz necessário conjugar o maior número de atores. Neste sentido a parceria com universidades, para estágio supervisionado, permite estender ao social o aprendizado acadêmico e propiciar a atuação de todos em práticas multidisciplinares em saúde mental.

 

 

2010-2015

Projeto “Grupos de Imaginação”, com atuação em parceria com a ONG Associação Projeto Roda Viva no Complexo do Borel, Tijuca.

 

Entre os anos de 2010 e 2015, atuamos sistematicamente no Complexo do Borel (Tijuca), na zona norte da cidade do Rio de Janeiro em parceria com a ONG Roda Viva, que funciona na localidade há cerca de 30 anos. Semanalmente, nossa equipe subia até o topo do morro para realizar atividades com as crianças e adolescentes, com seus familiares e com a equipe de educadores da instituição. Na época trabalhávamos com cerca de 200 crianças e adolescentes e 15 educadores.

As diferentes estratégias terapêuticas eram realizadas em grupo, em ritmos diversos: semanais, quinzenais ou até mesmo de três em três semanas, a depender do público alvo. Os grupos eram chamados de “Grupos de Imaginação” e visavam desenvolver um ambiente seguro e favorável ao envolvimento de todos num relacionamento colaborativo para instalar uma conversa transformadora. Ao agregarmos o termo “imaginação” aos grupos, buscávamos reforçar o aspecto lúdico e criativo da proposta terapêutica, concebendo a imaginação e o brincar como uma forma de pensar constitutivos da capacidade simbólica do humano.

 

 

PROJETOS EM ANDAMENTO

Durante o ano de 2016, apresentou-se ao projeto travess!a a possibilidade de estabelecer cooperação com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), através do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares – NIAP, por meio do desenvolvimento de uma ação conjunta com enfoque nos professores da rede municipal de educação.

Ao longo de nossos anos de intervenção social, percebemos que aqueles que oferecem cuidados também necessitam recebê-lo. Ao pensar a saúde integral, temos como fundamento que a necessidade de cuidados atravessa toda a existência humana. Nossa proposta é, portanto, ofertar um espaço de escuta e cuidado aos cuidadores – considerando os professores como protagonistas do cuidado desempenhado –, que estão cotidianamente lidando com as dificuldades e as precariedades das figuras de proteção e amparo, pelos mais variados motivos – que envolvem o aumento contínuo da violência em nossa sociedade, o abandono das famílias à própria sorte, dentre inúmeros outros. Diante deste contexto, o professor se vê excessivamente exigido a atender e responder a tamanha demanda que implica enormemente seus recursos emocionais, com ressonâncias evidentes no processo educacional como um todo.

A partir de uma proposta interdisciplinar baseada no tripé cultura-educação-saúde, nossas oficinas intentam estimular a troca de experiências e de problematizações com pares diversos, redimensionando os desafios do dia a dia dos professores participantes e procurando alargar a visão sobre a educação. Ao oferecer um espaço de liberdade de expressão, a proposta das oficinas é acolher as demandas dos professores, fortalecendo a autonomia e o empoderamento de cada docente na possibilidade de resolução criativa das questões colocadas, para que se coloquem fundamentalmente como agentes dos desdobramentos possíveis.

Atualmente, mantemos em funcionamento dois projetos com a SME. O primeiro, com início em 2016, tem sido operacionalizado através de oficinas mensais em dois dias diferentes, para dois grupos (um com professores e outro com diretores). Fundamentalmente, percebemos que as questões destes profissionais giram em torno das relações institucionais em seus múltiplos eixos – a relação dos professores com a gestão escolar, com seus pares, com os alunos e com os familiares/responsáveis. Tais oficinas têm, portanto, como objetivo o desenvolvimento de ações processuais que visam o empoderamento dos professores e diretores a ponto de se sentirem capazes de resolver suas próprias demandas e fortalecerem sua prática pedagógica dentro do ambiente educativo e a serem agentes de transformação.

Em 2018, a partir de uma solicitação da SME-RJ, o projeto travess!a apresenta a Proposta de Plano de Trabalho específica para escolas de ensino infantil e fundamental englobadas pela 3ª Coordenadoria Regional de Educação (3ª CRE), no Rio de Janeiro, especificamente as escolas do Jacarezinho, do Complexo do Lins e do Complexo do Alemão. Nesta nova frente direcionamos nossa atenção aos profissionais das 95 escolas da 3ª CRE com o objetivo de trabalhar a influência e os desdobramentos da violência em sua atividade profissional, pensada a partir de suas múltiplas expressões no cotidiano desses profissionais: seja na relação do professor consigo mesmo, com seus alunos e suas famílias, com seus pares, na relação de hierarquia dentro da instituição escola; seja com a rede de serviços públicos e com a cidade em que vivem.

Para isto, elegemos como eixos de análise as noções de pertencimento, continência e partilha. Através do processo grupal, estas noções possibilitam que nossas intervenções sejam pautadas no sentido de sair da dimensão exclusivamente individual (mas sem ignorá-la) e se colocar na roda da vida coletiva, em que cada um se sente amparado e pode amparar, criando uma REDE complexa para uma vida socialmente mais integrada às dificuldades e potencialidades intrínsecas a ela.

Nesta nova modalidade, propomos realizar oficinas semanais por um período de 8 semanas com grupos fixos compostos pelos profissionais das 95 unidades escolares municipais de ensino infantil e fundamental, contando com o apoio da SME de liberação destes profissionais para saírem durante o período de trabalho para as oficinas.

 

Como ajudar

 

Você quer ajudar o projeto travess!a, mas ainda não sabe como?

 

Queridos amigos,

escrevemos em caráter de urgência para ver como cada um de vocês poderá contribuir financeiramente que o projeto travess!a possa continuar a oferecer espaços de escuta e cuidado.

As atividades realizadas pelos psicanalistas seniores não têm custo para o projeto, mas há despesas básicas de secretaria, espaço, papelaria, lanche, locomoção, material para a produção das atividades e remuneração do pessoal de apoio: profissional em arte-educação e os jovens terapeutas que integram o Projeto.

No momento está se tornando inviável darmos conta da extensão deste trabalho tão importante somente com os recursos oriundos da própria SBPRJ e de doações voluntárias de seus membros. De imediato, para que possamos fechar as contas ainda em 2018, precisamos contar com a doação do maior número possível de pessoas dispostas a apostar e investir algum recurso financeiro no trabalho desenvolvido por nós. Esteja certo que doações mensais, médias ou pequenas, somadas nos darão oxigênio para continuarmos com as atividades.

Para isso, basta que você deposite sua contribuição na conta da SBPRJ*, colocando a cada remessa o dígito 05 nos centavos. Com isto, a tesouraria o direcionará automaticamente ao nosso projeto. Aproveite e nos informe de sua adesão e se gostaria de se manter anônimo através do e-mail sbprj@sbprj.org.br. Comprometemo-nos a enviar mensalmente um breve relatório de prestação de contas, bem como as notícias sobre o andamento do Projeto.

Desde já recebam o abraço e o agradecimento da nossa equipe, que se dedica e aprende com esse trabalho, como também, certamente, de todos aqueles que dele se beneficiam direta ou indiretamente: professores, alunos e famílias das escolas municipais do Rio de Janeiro da região do Jacarezinho, Lins e Complexo do Alemão.

 

Um afetuoso abraço,

Equipe do projeto travess!a

 

*Conta SBPRJ:

Banco Itaú; ag. 0311; CC 38725-2

CNPJ 33.599.390/0001-17

Contato: sbprj@sbprj.org.br