ENTRE A PELE E A PALAVRA: DESCOLONIZANDO A ESCUTA ANALÍTICA
Início: 13/03/2026
DATAS: 13, 20/03 - 10, 17/04 - 08, 15/05 - 12, 19/06(sextas-feiras)
HORÁRIO: 11h30
LOCAL: presencial, sede SBPRJ
Obs. 1: uma vez por mês a colaboradora participará on-line.
Obs. 2: o curso terá convidados internos e externos e aqueles que residirem e outros estados também poderão participar on-line.
NÚMERO DE SEMINÁRIOS: 8
OBJETIVO E MÉTODO:
O curso propõe integrar o conhecimento sobre as relações raciais e o racismo à formação psicanalítica e ao campo da saúde mental, de modo que o psicanalista possa reconhecê-los, nomeá-los e enfrentá-los em suas diversas expressões.
A experiência da diáspora negra entrelaça-se à história da escravidão e a seus efeitos traumáticos, transmitidos de geração em geração, que se manifestam de forma múltipla e complexa na vida dos sujeitos e na clínica psicanalítica.
O psicanalista, em seu compromisso com a busca da verdade por meio da escuta do inconsciente, necessita percorrer um caminho que o conduza ao reconhecimento de que o racismo não é apenas um fenômeno social, mas também um operador psíquico, que atravessa as subjetividades e incide nas relações transferenciais.
A tradição psicanalítica, historicamente centrada em autores e modelos europeus, tende a universalizar experiências particulares. Torna-se, portanto, fundamental o resgate de outras vozes, considerando que a psicanálise se expandiu e hoje se faz presente em contextos diversos e em múltiplas culturas.
Nesse sentido, a descolonização do pensamento psicanalítico e a ampliação do acesso às instituições de psicanálise abrem novas perspectivas, não apenas para uma escuta mais sensível situada e implicada no sofrimento das pessoas, negras e brancas, mas também para a criação de caminhos de elaboração da dor psíquica.
O curso será oferecido em dois segmentos: primeira e segunda parte, respectivamente, no primeiro e no segundo semestre de 2026.
PRÉ-REQUISITOS: Sem pré-requisitos.
SISTEMA DE VERIFICAÇÃO DO APROVEITAMENTO:
Participação nos seminários e presença de 75%.
CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO:
A avaliação ocorrerá de forma contínua ao longo do curso e será concluída por meio de uma conversa com os participantes ao final, fundamental para o planejamento e a organização do segundo semestre.
NÚMERO DE VAGAS: mínimo 5 (cinco) máximo 10 (dez): alunos do Instituto, membros da SBPRJ; associados aos Núcleos do Espírito Santo e de Salvador; candidatos do Intercâmbio ABC.
SUMÁRIO DA DISTRIBUIÇÃO DOS TEMAS:
13 e 20 de março 2026
Breve história da psicanálise e do racismo no Brasil.
Textos principais:
- CIDADE, Wania Maria Coelho Ferreira. História e desafios da formação psicanalítica no Brasil. In: NOGUEIRA, Eliane Grass Ferreira; SQUEFF, Rosa Beatriz Santoro (org.). Ubuntu: eu sou porque nós somos: trajetórias antirracistas no território psicanalítico. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA), 2025.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
Introdução: Tornando-se sujeito
Capítulo 1: A máscara.
Textos complementares:-
Cidade, Wania M. C. F. Racismo, Violência e Trauma. Disponível na biblioteca da SBPRJ.
- Paim, Ignácio e Cidade, Wania. Podem Negras e negros ser psicanalistas? In. Paim, Ignácio. Racismo: por uma psicanálise implicada. Porte Alegre: Artes && Ecos, 2021.
10 e 17 de abril
Obstrução na escuta clínica: a negação do racismo
Textos principais:
-. FERENCZI, Sándor. Confusão de línguas entre os adultos e a criança. In: FERENCZI, Sándor. Obras completas. São Paulo: Martins Fontes, 1990. v. 4. [1934].
- FERENCZI, Sándor. Reflexões sobre o trauma. In: FERENCZI, Sándor. Obras completas. São Paulo: Martins Fontes, 1990. v. 4, p. 109-118.
- FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008.
Textos complementares:
- Cida Bento. O Pacto da Branquitude, 1ª. Ed. São Paulo: Companhia das letras, 2022.
Capítulos 1: Pacto Narcísico.
Capítulo 2: Branquitude e Colonização Europeia.
.Capítulo 6: Racismo Institucional
PAIM FILHO, Ignácio A.; SILVA, Hayanna Carvalho Santos Ribeiro da. As relações raciais no divã: rupturas com o pensar e fazer branco, psicanálise em chamas. Revista Brasileira de Psicanálise, São Paulo, v. 59, n. 2, p. 165-184.
08 e 15 de maio
Racismo e subjetivação
Textos principais:
- ANDRADE, Érico. Psicanálise e negritude: o mal-estar do racismo. Psicologia USP, São Paulo, v. 36, p. 1-6, 2025.
- WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 2008.
- SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. [1983]
- FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008. [1952].
Textos complementares
- GRUPO SANKOFA. Complexo do semelhante – dor psíquica: entre o “bem-estar” do povo branco e o “mal-estar” do povo negro. In: PAIM FILHO, Ignácio Alves et al. (org.). O antirracismo escrevendo histórias no movimento psicanalítico: a força transformadora dos coletivos. São Paulo: Blucher, 2025. p. 165-200
12 e 19 de junho
Descolonizando a escuta psicanalítica
Textos principais:
- Palazzo, Lúcia. O trajeto do exílio, do desexílio e da equidade.. Disponível na biblioteca da SBPRJ
- Entrevistas: Fakhry Davids, Isildinha Baptista Nogueira e Wania Maria Coelho Ferreira Cidade. Revista Trieb: Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Vol. 20. n.2, 2021 Racismo.
- Avaliação
REPRESENTANTES DO CURSO JUNTO AO DEP. CURRICULAR E DOCENTE: Wania Maria Coelho Ferreira Cidade