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Novembro Azul

As pesquisas epidemiológicas mais recentes trazem o câncer de próstata como o segundo tipo de câncer mais frequente em todo o mundo, perdendo apenas para o câncer de pele. Em 2014, foi feita uma estimativa de cerca de 88,06 novos casos para cada 100 mil​ homens, na região sudeste do Brasil. Interessante notar que 70% dos novos casos diagnosticados no mundo ocorrem nos países desenvolvidos. Esses índices provavelmente ​são obtidos pelo incentivo realizado pelas campanha​s​ de rastreamento, incluindo o exame do PSA no sangue e o toque retal.


A alta incidência​ d​o câncer de próstata​ tem aumentado o interesse ​ pela doença, especialmente das políticas​​ de saúde​ dos países desenvolvidos.


Muito ​já foi discutido sobre os fatores de risco e as medidas preventivas que podem ser tomadas para evitar​ o aparecimento da doença. Concretamente são reconhecidos três fatores que podem​ ser considera​dos como de efetivo risco para o desenvolvimento d​a doença: O primeiro​,​ sem dúvida, refere-se à idade do homem, quanto maior a idade, maior a possibilidade de surgir um carcinoma na próstata. Outro fator é a etnia, pois há uma elevada incidência da doença entre os negros. Por último, ​podemos citar a predisposição genética, quando já são conhecidos casos na família.


​Em relação às medidas preventivas, não existe, até o momento, nenhuma que possa ser efetivamente considerada como de eficácia comprovada. Como medida de impacto na redução das consequências do câncer de próstata, o diagnostico precoce, através da dosagem do PSA e do exame retal da próstata, ocupa um lugar de destaque. O PSA (Prostatic Specific Antigen) é uma proteína produzida somente pela próstata, que participa na formação do liquido seminal. Parte do PSA é liberado para o sangue, e desde o final da década de 80 tornou-se possível dosá-lo, o que provocou uma grande revolução no diagnostico e tratamento do câncer de próstata, assim como reduziu em ate 40% a mortalidade por esta doença nos últimos 25 anos. O PSA é especifico da próstata, mas seu aumento nem sempre significa a presença de um câncer. A dosagem desta enzima aumenta em qualquer problema prostático, como na Hiperplasia benigna ou na Prostatite.

Por outro lado, o toque retal tem uma importância significativa, uma vez que até 20% dos tumores malignos da próstata se apresentam com PSA abaixo de 4 ng/dL. Portanto este é um exame altamente relevante e que nos dias de hoje, principalmente em grandes centros, não podemos aceitar que o homem deixe de fazê-lo por motivos culturais, ou por medo.


Uma vez detectado o problema, o tratamento adequado alcança, atualmente, em cerca de 97% dos casos, sobrevida de 5 anos e altas probabilidades de cura. O problema é que, muitas vezes, estes tratamentos tem consequências, sendo as mais temidas, a Disfunção Erétil e mais raramente a Incontinência Urinaria. Os que criticam os programas de rastreamento do câncer da próstata alegam que, muitos pacientes são tratados sem necessidade e que sua qualidade de vida pode ficar prejudicada desnecessariamente. Entretanto, temos hoje ferramentas de estudo do câncer prostático, em que pela análise do PSA, toque retal, ressonância magnética e da histologia do tumor colhido pela biopsia, podemos determinar com relativa segurança, se o tumor é de alta ou baixa agressividade. Desta maneira, podermos propor uma forma de tratamento chamada de Vigilância Ativa, de modo a evitar tratar aqueles que têm uma doença da qual provavelmente não irão morrer, mesmo que permaneçam sem tratamento. Procura-se assim manter a redução da mortalidade obtida com os tratamentos atuais, evitando trazer possíveis consequências do tratamento, para aqueles que tem uma doença que não terá impacto em sua vida futura.


Em minha opinião, a maior sobrevida e qualidade de vida que os pacientes vêm alcançando nos dias de hoje​ se deve em parte, ao rastreamento e diagnostico precoce desta terrível doença. Algumas décadas passadas, no inicio de minha vida como urologista, no inicio dos anos 80, acompanhei a morte sofrida de muitos pacientes com múltiplas metástases ósseas​, e problemas de sangramento e obstrução das vias urinarias​.​ ​


Vale a pena ressaltar que um homem diagnosticado com câncer na próstata​ sofre um forte impacto emocional e a ansiedade costuma ser a resposta a esse impacto, especialmente nos casos em que podemos indicar a Vigilância Ativa, ou seja, o paciente sabe que tem um câncer​, mas a melhor conduta, indicada pelo médico nesse momento é apenas acompanhar, de forma ativa, o comportamento do tumor. Por outro lado, ​o paciente que é tratado, também fica extremamente ansioso, podendo apresentar problemas ​de Disfunção Erétil. Para ambas as situações, considero o apoio psicológico um importante instrumento para ajudar o indivíduo a enfrentar a doença de forma mais realista e equilibrada.


Roberto Cerqueira Campos

Urologia / Andrologia


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