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Para quê serve a psicanálise?

Não é nem justo nem correto dizer que todos precisem se submeter à psicanálise. O maior de todos os terapeutas sempre foi e continuará sendo a própria vida. A vida se encarrega de nos interpretar. Os acontecimentos nos interpretam. Somos o que somos em virtude da capacidade que possuímos de nos manter em constante diálogo com a vida, de não deixar a peteca cair. É bem verdade que nem sempre este diálogo se dá do jeito que gostaríamos. Mas para o bem e para o mal estamos constantemente sendo interpretados, seja pela dor que sentimos ou provocamos quando desconhecemos nossos limites, seja pela satisfação experimentada quando recompensados em nossas iniciativas. Viver e conhecer são processos simultâneos e recíprocos.

Acontece que por vezes o diálogo é duro demais ou a teimosia teimosa o bastante para não querer escutar e então o diálogo se fecha. Por excesso de dureza do diálogo ou teimosia do sujeito, não suportamos ou nos recusamos a seguir conversando com a vida. A realidade se repete e insiste em nos querer dizer a mesma coisa, desagradavelmente sempre a mesma coisa. Vivemos um esgotamento de nossas possibilidades de transformar as coisas e não suportamos a dor de ter de nos transformar.

Aí então, neste contexto, a psicanálise tem se mostrado uma importante ferramenta para o restabelecimento do diálogo com a vida. O psicanalista age como um intermediário entre o que sentimos e a vida, de modo a nos devolver a capacidade de seguir constantemente dialogando, para o bem e para o mal.

Rio de Janeiro, 07 de maio de 2009.