TRIEB, VOL. V, N.2, dezembro 2006 – Psicanálise e Interface Social
EDITORES
Fernando José Barbosa Rocha
Marci Doria Passos
Viviane Frankenthal
ASSISTÊNCIA EDITORIAL
Munira Aiex Proença
Sônia Bromberger
Sumário
Editorial
Projeto de Psicanálise e Interface Social (PROPIS) da Sociedade Brasileira de
Psicanálise do Rio de Janeiro
• Psicanálise e interface social – Liana Albernaz de Melo Bastos e Munira Aiex Proença
• Grupo operativo com familiares de pacientes fibrocísticos – a contribuição da
psicanálise – Sônia Bromberger
• Invisíveis sociais – Flávia Costa Strauch
• Psicanálise e interface social: experiência em favelas do Rio de Janeiro – Maria Teresa Naylor Rocha
• Psicanálise e ação social: programa radiofônico Escutar e Pensar – Sônia Eva
Trabalhos de Psicanálise e Interface Social
• Depressões maternas – Susan Markuszower
• E por falar em umbigos... os nossos, os delas e os que ainda nem conhecemos –
Haydée Côrtes e Simone Wenkert
• Desigualdade social - a imagem da violência no Rio de Janeiro – Maria Izabel
Szpacenkopf
• Travessias do grupo familiar (processos de migração) – Olga B. Ruiz Correa
• O singular no plural: o analista na terra de ninguém – Ester Hadassa Sandler
Entrevista
• Até onde se pode mudar – Jean-Bertrand Pontalis
Tradução: Eliezer de Hollanda Cordeiro
Resenha
• A dor que emudece - Travessia clínica de Louis Althusser – Marci Dória Passos
Resenha de Ney Marinho
RESUMO
PSICANALISE E INTERFACE SOCIAL
PSYCHOANALYSIS AND SOCIAL INTERFACE
Autores: Liana Albernaz de Melo Bastos, Doutora em Ciências Humanas e da Saúde IMS/UERJ.
Mestre em Teoria Psicanalítica IP/UFRJ. Membro efetivo da SBPRJ.
Munira Aiex Proença, Mestre em Tecnologia Educacional na área das Ciências da Saúde -NUTES/UFRJ.
Membro efetivo da SBPRJ.
Resumo
As autoras fazem um recorte do ideário da modernidade e da contemporaneidade apontando os
tempos atuais como traumáticos. Propõem a necessidade da psicanálise interferir neste cenário
considerando os demais saberes. Nesta perspectiva apresentam o programa da SBPRJ de
interface social da psicanálise (PROPIS) sustentando o rigor psicanalítico das inovações
técnicas demandadas.
Unitermos: modernidade, contemporaneidade, interface social da psicanálise, traumático,
inovações técnicas.
Abstracts
The authors make a cutout (clipping) of the modernity and contemporaneity ideas pointing
out the present time as thraumatic. They propose the necessity of psychoanalysis to interfere in
this scenery considering other essentials. From this perspective, they present the social
psychoanalysis interface program of the Brazilian Psychoanalytical Society of Rio de Janeiro
(PROPIS) supporting the psychoanalytical exactness of the technics innovations required.
Uniterms: modernity, contemporaneity, social psychoanalysis interface,
thraumatic,. technics innovations.
GRUPO OPERATIVO COM FAMILIARES DE PACIENTES FIBROCÍSTICOS
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICANÁLISE*
THE WORKING GROUP WITH PARENTS OF PATIENTS WITH CYSTIC FIBROSISTHE CONTRIBUTIONS OF PSYCHOANALISIS
Autor: Sonia Bromberger, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro
RESUMO
O artigo relata a experiência de um trabalho coordenado por psicanalistas com familiares de pacientes fibrocísticos, partindo da demanda que a Associação Carioca de Mucoviscidose (ACAM) dirigiu a
SBPRJ. A resposta elaborada foi uma estratégia de intervenção em termos de encontros mensais,
fundamentada na teoria dos grupos operativos de José Bleger.
No grupo operativo, denominado pelos participantes de “A Roda da Psicanálise”, constrói-se um
espaço de escuta que é, ao mesmo tempo, espaço de encontro e de troca inter pares para a expressão de
suas dúvidas, angústias e competências, tecendo assim suas próprias histórias da doença. Deste modo,
ele funciona como suporte e campo de elaboração dos efeitos traumáticos de uma grave doença crônica numa família, favorecendo a que cada participante, pelo uso da palavra, se outorgue o lugar de porta
voz e intérprete do seu sofrimento, e assim desenvolva ou recupere a capacidade de lidar mais ativa e
criativamente com o processo ininterrupto de tratamento e cuidados que a fibrose cística requer por
toda a vida.
Considera-se que esta forma de abordagem tem efeitos terapêuticos e pode ser utilizada nas demais
doenças crônicas .
Unitermos : psicanálise sem divã – psicanálise e interface social –fibrose cística – grupo
operativo – envelope grupal – foco-emergente grupal- trauma.
ABSTRACTS
This paper is about a project conceived upon request of the Associação Carioca de
Assistência à Mucoviscidose (Carioca Association of Assistance for Cystic Fibrosis)
supported by the Instituto Fernandes Figueira of the Brazilian Health Ministry, the reference
hospital of the World’s Health Organization for diagnosis and treatment of cystic fibrosis for
children and adolescents. The goal´s project was meant to help them to deal with anxiety
that diagnosis and treatment of cystic fibrosis brings about.
The strategy of treatment occurs in monthly in the hospital settings, based in J. Bleger´s
working group (Grupo Operativo) theory, called “The Wheel of Psychoanalysis” by the
participants. In this setting participants have at their disposal a psychoanalytic listening
perspective that is at the same time a place of meeting and exchanging of experiences with
peers, where doubts, anxiety and also competences can be freely expressed, as members
weave their own history of their illness.
The working group functions as a protection against traumatic effects of discovering the
existence of cystic fibrosis in the family, enabling each participant, through the use of the
word, to be the spokesman and interpreter of his suffering and in this way gain or recover the
capacity to deal and to cope more actively and more integrated with the treatment process and
care that cystic fibrosis demands for the rest of life.
We believe that this special approach has therapeutic effects and can be employed in others
chronic deseases.
Uniterms: psychoanalysis without couch-psychoanalysis and social interface-cystic
fibrosis- working group- group envelope- foccus- grupal emergent- trauma
INVISÍVEIS SOCIAIS*
SOCIAL INVISIBLES
Autor: Flavia Costa Strauch, Membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro.
Membro titular da Associação de Terapeuta de Família do Rio de Janeiro. Psicóloga
Resumo
A alta reincidência dos egressos do sistema penal brasileiro e particularmente do município do
Rio de Janeiro motivou a Secretaria Municipal de Assistência Social a desenvolver um projeto
de capacitação e inclusão social desse significativo contingente de excluídos, tanto emocional
quanto socioeconomicamente.
Fadados à invisibilidade social, parte desse estrato da população tem usufruído da
possibilidade de uma organização de suas vidas sobre outros pilares que não o da
marginalização e sua vertente criminal, a marginalidade e suas nefastas conseqüências, que
atingem a sociedade como um todo.
A participação de uma psicanalista nessa proposta se baseia na compreensão de que tal
questão diz respeito a todos os saberes da sociedade que possam ajudar a dirimi-las. E a
psicanálise, cujo vértice valoriza o reconhecimento do outro como outro, constitui um
instrumento valioso de auxílio a esse grupo no resgate da humanidade inibida, propiciando o
reconhecimento de suas subjetividades.
Unitermos: Egressos. Inclusão. Psicanálise
Abstract
The high recidivism of those who egress from the Brazilian penal system and especially of the
municipality of Rio de Janeiro motivated the Municipal Secretary of Social Assistance to
develop a project for capacitation and social inclusion of this significant contingent of
excluded, emotionally as well as social-economically.
Predestined to social invisibility part of this population stratum has been able to usufruct of the
possibility of an organization of their lives built on other pillars than marginalization and its
criminal slope, marginalization and its disastrous consequences that reach society as a whole.
The participation of a psychoanalyst in this proposal is based on the understanding that this
issue is a concern to all of society’s sciences that can help diminish it. And psychoanalysis,
whose vertex values the recognition of the other as another, constitutes a valuable instrument
to help this group to rescue the inhibited humanity, enabling the recognition of their
subjectivities.
Uniterms: Egress. Inclusion. Psychoanalysis
PSICANÁLISE E INTERFACE SOCIAL: EXPERIÊNCIA EM FAVELAS DO RIO DE
JANEIRO
PSYCHOANALYSIS AND SOCIAL INTERFACE: PRACTICE IN 10 FAVELA
COMMUNITIES OF RIO DE JANEIRO
Autor: Maria Teresa Naylor Rocha, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro
Resumo
Este artigo discute a construção do sujeito em circunstâncias sociais adversas e os efeitos da
exclusão social no processo de humanização individual e grupal. Por considerar ser um dever ético criar estratégias para tentar intervir nesta realidade, a autora empreende um projeto que
vem desenvolvendo desde 2003, baseado na psicanálise e na arte-educação, com crianças e
lideranças comunitárias de baixa renda.
Unitermos: subjetivação e exclusão social, cultura e psicanálise, arte-educação e psicanálise.
Abstract
This article discusses the subject’s construction in unfavorable social circumstances and the
effects of social exclusion in the process of individual and group humanization. Considering it
to be an ethical duty to create strategies for intervention in this reality, the author undertakes a
project that is being developed since 2003 and that is presented in this communication based
on psychoanalysis and art-education with low income children and community leadership.
Uniterms: Process of subjectivation and social exclusion, culture and psychoanalysis, arteducation
and psychoanalysis.
PSICANÁLISE E AÇÃO SOCIAL: PROGRAMA RADIOFÔNICO ESCUTAR E
PENSAR
PSYCHOANALYSIS AND SOCIAL ACTION: RADIO PROGRAM LISTENING AND
THINKING
Autor: Sônia Eva Tucherman, Membro Efetivo da SBPRJ
Resumo:
O artigo descreve um projeto desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de
Janeiro em parceria com a Rádio MEC, desde 2001 até hoje — o programa Escutar e pensar.
O objetivo do programa é beneficiar inúmeras pessoas pela intervenção direta através da mídia
radiofônica, ajudando a refletir sobre questões cotidianas. A autora tece considerações sobre a
informação como recurso valioso para a saúde psíquica e saúde pública, e destaca a
importância de uma articulação entre o saber psicanalítico e ações sociais.
Unitermos: neutralidade - excluídos do saber - informação - mídia radiofônica -subjetividade - aptidão emocional.
Abstract:
The article describes a project developed by The Brazilian Psychoanalytical Society of Rio de
Janeiro together with Radio MEC, from 2001 until today — the program Listening and
Thinking. The program aims to benefit people by the direct intervention via radio
broadcasting, thus helping on the reflection about everyday questions. The author considers
that information is a valuable resource for both, psychic and public health and highlights the
importance of an articulation between psychoanalytical knowledge and social actions.
Uniterms: neutrality-knowledge excluded -information -radio media -subjectivity emotional
ability.
DEPRESSÕES MATERNAS
MATERNAL DEPRESSIONS
Autor: Susan Markuszower, Psicanalista, Mestre em Psicologia Clínica pela PUCSP, membro do conselho
editorial (grupo de Entrevistas e Debates) da Revista Percurso, Departamento de Psicanálise, S.P.
Resumo
O objetivo deste trabalho é focalizar as angústias e depressões pós-parto a partir da dinâmica
emocional materna. As considerações deste trabalho se baseiam nas consultas terapêuticas
mãe-bebê conduzidas no ambulatório do PEC (Programa Einstein na Comunidade), situado em
Paraisopolis, S.P. A descrição do percurso de alguns casos clínicos visa demonstrar que ao
denominar uma tristeza ou uma angustia pela época de sua ocorrência podemos correr um erro de pressupor alguma homogeneidade, impedindo desta forma a escuta da singularidade de cada
vivência do sujeito.
Unitermos: depressão materna, puerpério, maternidade
Abstract
The objective of this paper intends to focalize distress and depression during puerperium,
considering the emotional dynamics of the mother. The findings of this paper are based on
therapeutic mother and child consultations held at the PEC clinic (Programa Einstein na
Comunidade), situated in the district Paraisopolis, S.P. The description of the cases intends to
demonstrate that when we relate distress or sadness to the period of its occurrence, we might
presume homogeneity, which interferes listening to the unique experience of each individual.
Uniterms: maternal depression, puerperium, maternity
E POR FALAR EM UMBIGOS...
OS NOSSOS, OS DELAS E OS QUE AINDA NEM CONHECEMOS.
AND TALKING ABOUT BELLIES...
OURS, THEIRS AND THE ONES WE DON’T EVEN KNOW YET.
Autores:
Haydée Côrtes de Barros Silveira Piña Rodrigues -psicóloga e candidata do Instituto da
Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro.
Simone Wenkert Rothstein -psicóloga e psicanalista, membro associado da SBPRJ e
membro da ABEBê.
Resumo
Neste artigo as autoras refletem sobre alguns aspectos do trabalho psicanalítico em uma
comunidade carente, a partir da experiência em um grupo terapêutico.
O grupo é constituído por 13 gestantes e/ou mães de bebês de até dois anos de idade, todas
moradoras da Rocinha; este grupo conta também com a presença de alguns dos filhos, bebês, e
eventualmente, crianças de até 4 anos.
Nos encontros realizados semanalmente são abordadas questões ligadas à maternidade,
privilegiando o desenvolvimento de um espaço de escuta, de fala, de elaboração; enfim, um
espaço de simbolização.
O artigo se desenvolve a partir da definição das motivações que as levaram a criar o grupo, e
se desdobra em comentários, frutos de sua realização. Utilizam como referência o conceito de
maternagem para pensar a relação das mães com seus filhos, ou para compreender a função do
analista nestas circunstâncias: escuta-acolhimento em direção à simbolização, à subjetivação.
Unitermos: sociedade pós-moderna, desamparo, incontinência psíquica, maternagem,
simbolização
Summary
In this article the authors reflect on some aspects of the psychoanalytical work in a poor
community, from their experience in a therapeutic group.
The group is constituted of 13 pregnant women and/or mothers of babies of up to two years of
age, all inhabitants of the Rocinha Community; this group also counts on the presence of some
of their children, babies, and eventually, children of up to 4 years of age.
On the meetings, carried out weekly, there are discussions about maternity issues, privileging
the development of a forum where the women can listen, speak and elaborate, consequently a
space of symbolization.
The article is developed based on the very definition of the motivations which led to the
creation of the support group and it unfolds in observations, fruit of its accomplishment. They
use as reference the concept of mothering to think about the relation between the mothers and
their children, or to understand the role of the psychoanalyst in these circumstances: listeningnurturing
towards the symbolization, the subjectivism.
Uniterms: postmodern society, abandonment, psychic incontinence, mothering, symbolization
DESIGUALDADE SOCIAL
A Imagem da Violência no Rio de Janeiro
SOCIAL INEQUALITY
The Image of Violence in Rio de Janeiro
MARIA IZABEL OLIVEIRA SZPACENKOPF
Psicanalista, Doutora em Comunicação e Cultura UFRJ
Membro do Espace Analytique de Paris
Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro
Pesquisadora Associada ao LPP/UERJ
Autora do livro: O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no telejornal.
Civilização Brasileira/Record. 2003
Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf
Psicanalista, doutora em Comunicação e Cultura UFRJ
Membro do Espace Analytique de Paris
Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro
Pesquisadora associada ao LLP/UERJ.
Autora de O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no telejornal. Rio de
Janeiro, Civilização Brasileira/Record, 2003.
DESIGUALDADE SOCIAL
A Imagem da Violência no Rio de Janeiro
SOCIAL INEQUALITY
The Image of Violence in Rio de Janeiro
Autor: Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf. Psicanalista, doutora em Comunicação e Cultura
UFRJ. Membro do Espace Analytique de Paris. Membro do Espaço Brasileiro de Estudos
Psicanalíticos do Rio de Janeiro. Pesquisadora associada ao LLP/UERJ.
Resumo
Este trabalho apresenta alguns enfoques a partir das Ciências Sociais e da Psicanálise
relacionados à desigualdade social e alguns dados da pesquisa “A Imagem da Violência no
Rio de Janeiro”, que coordenei como pesquisadora da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho
de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), no Laboratório de Políticas Públicas da
UERJ, durante 2004/2005. A análise da formação de subjetividades em função da lei do
Estado e da do mercado abrange em outros termos as duas posições que defendem o princípio
de igualdade: pela via dos direitos e de liberdades (democracia), e pela igualdade de chances e
de capacidades (capitalismo).
A proposta, no entanto, destaca as condições financeiras calcadas na política do
mercado e pelo consumo que impõem desigualdades e tratamento diferenciado que atuam na
formação dos sujeitos.
Nessa abordagem serão articulados os conceitos de classe e status, destacando o de
Distinção de Bourdieu, com os de Ideal de Ego e Ego ideal, fundamentos da psicanálise no
que concerne à identificação.
Unitermos: Desigualdade Social -Distinção- Subjetividades - Ego Ideal - Ideal do Ego
Abstract
This work presents some points of view from Social Sciences and Psychoanalysis related to
social inequality and based on some data brought up by the research called "Image of Violence
in Rio de Janeiro", under my coordination, at the Laboratory of Public Politics of UERJ (Rio
de Janeiro State University), supported by Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à
Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), during 2004-2005. The analysis of the formation of
subjectivities according to the law of the State and to the law of the Market includes two
standpoints that support the principle of equality: rights and liberties (democracy) and equality
of opportunities and abilities (capitalism). The proposal, however, emphasizes the financial
conditions based on market policy and by the consumption which impose inequalities as well
as differentiated treatment that will act somehow or other in the subject’s formation. The
present approach will articulate concepts of class and status, detaching Bourdieu's concept of
Distinction with Psychoanalysis’s concept of Ego Ideal and Ideal Ego, fundamental in the
identification process.
Uniterms: Social inequality -Distinction - Subjectivities – Ego Ideal and Ideal Ego.
TRAVESSIAS DO GRUPO FAMILIAR (PROCESSOS DE MIGRAÇÃO)
FAMILY GROUP JOURNEYS (MIGRATION PROCESSES)
Autor: Olga B. Ruiz Correa, Psicanalista, Membro efetivo da Societé Française de
Thérapie Familial Psychanalytique e da Societé Française de Psychothérapie
Psychanalytique de Groupe. Member of Board of International Association of Couple and
Family Psychoanalysis
Resumo
A autora desenvolve, a partir da experiência em clínica psicanalítica com famílias, os
processos psíquicos envolvidos na situação de migração do grupo familiar em contextos de
violência social ou situações que configuram uma crise do grupo ou de um de seus
integrantes.
Duas vinhetas clínicas apontam os aspectos teórico-clínicos envolvidos assim como uma
reflexão sobre a dimensão bi face da psicanálise e o social.
Conceitos sobre as formações intermediárias e diversos contratos e pactos no grupo
familiar, nos ajudam a compreender a articulação entre a história íntima e a história
coletiva.
Unitermos: migração, crise – ruptura – intersubjetividade - grupo familiar
Abstract
With the experience in psychoanalytical clinical practice with families as a starting point,
the author develops the psychological processes involved in the migration of family groups
in contexts of social violence or in circumstances that constitute a crisis in the group or of
one of its participants.
Two clinical passages indicate the theoretical-clinical aspects involved, as well as a
reflection on the dual dimension of psychoanalysis and the social facet.
Concepts about intermediate formations and several contracts and agreements within the
family group help us understand the articulation between intimate and collective histories.
Uniterms: migration, crisis-rupture-intersubjectivity-family group.
O SINGULAR NO PLURAL: O ANALISTA NA TERRA DE NINGUÉM
SINGULAR IN PLURAL: THE PSYCHO-ANALYST IN NOMAN’S LAND
Autor: Ester Hadassa Sandler. Médica. Analista Didata. Membro Efetivo da SBPSP
Resumo
Quando o discurso do analista se volta para outras áreas de humanidades, os benefícios que
dele se pode esperar, sempre especulativamente, são essencialmente diferentes dos
resultantes do trabalho clínico extenso e aprofundado com cada indivíduo. O mesmo vale
para a elaboração teórica interligada a essa clínica. A antropologia social, especialmente a
corrente culturalista, que predominou nas primeiras décadas do século XX, absorveu e
usufruiu das contribuições da psicanálise, assim como outras áreas de conhecimento
também. Mas, pode a sociedade obter da psicanálise resultados “terapêuticos” comparáveis
aos que um indivíduo singular eventualmente obtém?
Através de duas vinhetas, tentei infundir alguma vitalidade aos assuntos que pretendo
discutir. Colocar a psicanálise ao alcance de mais indivíduos é necessário e suficiente? O social, o coletivo é apenas a soma dos indivíduos que o compõem ou vai muito além? A
quantidade afeta a qualidade? Caso afete, seria possível tentar esclarecer fenômenos
psicanaliticamente, delimitando alguns fatores? Quais foram algumas das tentativas
psicanalíticas feitas nesse sentido?
Considero, entre outras questões, as que envolvem a associação do psicanalista com o
poder, a impotência e o desalento, quando o seu pensamento e suas ações se aventuram a
transpor os limites da sala de análise.
Unitermos: Singular, plural, indivíduo, grupo, massa, poder
Abstract
When the analyst’s discourse turns to other humanities areas, the benefits that one can
expect-always speculatively-are essentially different from the resultant of the extensive
and deepened clinical work with each individual. The same is valid to the theoretical
elaboration interlinked to this clinic. Social anthropology, especially the culturalist current
which predominated in the first decades of the 20th century has absorbed and usufructed
the psychoanalysis contributions as well as other areas of knowledge. However, can society
obtain from psychoanalysis “therapeutic” results comparable to the ones a singular
individual might obtain?
Through two vignettes I have tried to inculcate some vitality to the issues I intend to
discuss. Is psychoanalysis put to the reach of a greater number of individuals, necessary and
sufficient? Is the social, the collective only the additions of the individuals that compose it,
or would that go much beyond? Does quantity affect quality? In case it does, would it be
possible to try and enlighten phenomena psychoanalytically, delimitating a few factors?
Which were some of the psychoanalytical attempts done in this sense?
I have considered, among other questions, the ones that involve the association of the
psychoanalyst with power, the impotence and disheartenment when his, or her thought and
actions venture to cross over the boundaries of the analytical room.
Uniterms:Singular, plural, individual, group, mass, power.