REVISTA TRIEB, volume 3, nº 1, março 2004
Cinema

EDITORES
Fernando José Barbosa Rocha
Marci Doria Passos
Viviane Frankenthal

EDITOR CONVIDADO
Luiz Fernando Gallego Soares

SUMÁRIO
Palavras do Editor Convidado
Cinema e verdade, sonho e realidade psíquica ..... Luiz Fernando Gallego Soares

Pensando o Cinema

O pensamento e o cinema: uma abordagem estética ..... Auterives Maciel
A lanterna mágica .....Aida Ungier

Histórias de Cinema

Tudo que o cinema permite: apresentação de Douglas Sirk .....Stephen Berg
Édipo e Orestes: o jovem Freud segundo Sartre .....Luiz Fernando Gallego Soares

Filmes como pré – texto

Os visitantes da noite – uma parábola sobre petrificações.....Gláucia Dunley
Ética e rebeldia .....Jansy Berndt de Souza Mello
Helene e Frank: um amor virtual? Considerações sobre o filme Nunca te vi, sempre te
amei .....Áurea Maria Lowenkron

Textos sobre filmes

Uma relação pornográfica .....Edna Vilete
O trauma e sua elaboração psíquica em “Adeus, Lênin” .....Bernard Miodownik
Minority report, a nova lei .....Carla Maria Penna
Uma ficção sobre as possibilidades do ser: Cidade dos Sonhos .....Letícia Neves

Clássicos do Cinema: Buñuel e Bergman

Ensaio e notas sobre “Ensaio de um crime”, filme de Luís Buñuel .....Roberto
Bittencourt Martins
O semblante no cinema .....Pierre Sullivan (Tradução: Admar Horn)

Cinema Brasileiro

A janela da alma e do corpo – psicanálise e cinema .....Dinara G.M.Guimarães
Dias de Nietzsche em Turim .....Rosa Maria Dias

Resenha

O cinema visto pela psicanálise nos livros .....Luiz Fernando Gallego Soares

EDITORA Relume Dumará

RESUMO DOS ARTIGOS


O PENSAMENTO E O CINEMA: UMA ABORDAGEM ESTÉTICA

THINKING AND CINEMA: NA AESTHETIC APPROACH
Autor: Prof. Dr. Auterives Maciell, Professor do Departamento de psicologia da UFF.

Resumo
O texto trabalha a relação entre pensamento e cinema a partir de uma abordagem estética.
Define o seu trajeto - ao expor a estética como um modo do pensamento - procurando
entender como o cinema participa da renovação da estética contemporânea. Busca, portanto,
compreender o pensamento cinematográfico ao longo da sua história, para delimitar a situação
e o desafio do cinema no mundo contemporâneo. Enfim, o texto apresenta a função estética da
sétima arte como resistência às funções sociais que os poderes estabelecidos impuseram aos
meios áudios-visuais.

Unitermos: Estética, cinema, pensamento, criação, resistência.

Abstract
The text deals with the relation between thinking and cinema. Defining its trajectory – when
expounding aesthetics as a way of thinking – seeking to understand now cinema participates
in the renewal of contemporary aesthetics. Therefore, it seeks to understand cinematographic
thinking throughout its history, to delimit the situation and challenge of cinema in the
contemporary world. In short, the text presents the aesthetic function of the seventh art as
resistance against the social functions that established powers imposed on audio-visual media.

Uniterms: Aesthetics, cinema, thinking, creation, resistance

A LANTERNA MÁGICA
THE MAGIC LANTERN
Autor: Aida Ungier, Psiquiatra, Psicanalista, Membro Convidado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do
Rio de Janeiro, Mestre em Teoria Psicanalítica pelo Instituto de Psicologia da UFRJ. Autora do livro POR
ACASO – o humor na clínica psicanalítica. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria Ltda, 2001.

Resumo
A autora examina e aproxima a alquimia que se estabelece tanto entre analista e analisando,
na sessão analítica, quanto entre a câmera e o espectador na sessão cinematográfica. Articula
os conceitos de territorialização e desterritorialização desenvolvidos pelos filósofos Gilles
Deleuze e Felix Guattari com o conceito winnicottiano de espaço potencial. Propõe que esses
encontros promovem uma desterritorialização subjetiva, criadora de novas subjetivações.

Unitermos: psicanálise / cinema / espaço potencial / territorialização / desterritorialização

Abstract
The author investigates and brings near the alchemy estabilished between the analist and the
pacient, in the analytical session, as well as between the camera and spectador, in the
cinematographic session. She articulates the concepts of territorialization and
deterritorialization, developed by the philosophers Gilles Deleuze and Felix Guattari, with
Winnicott’s concept of potential space. She suggests that such encounters promote a
subjective deterritorialization, creator of new subjetivations.

Uniterms: psychoanalysis / cinema / potential space / territorialization / deterritorialization

TUDO O QUE O CINEMA PERMITE: APRESENTAÇÃO DE DOUGLAS SIRK
(ALL THE CINEMA ALLOWS: AN INTRODUCTION TO DOUGLAS SIRK)
Autor: Stephen Berg, Tradutor e Mestre em Letras pela Universidade da Califórnia em Los Angeles
(UCLA).

Resumo
Com o surgimento da politique des auteurs em Paris, na década de 1950, a importância do
diretor de cinema alemão Douglas Sirk começa a ser reconhecida pela crítica especializada.
Embora tenha começado a trabalhar nos estúdios da UFA, Sirk foge do nazismo em 1937 e
acaba emigrando para os Estados Unidos onde, sob condições aparentemente adversas, realiza
seus filmes mais importantes dentro do studio system hollywoodiano, subvertendo as regras
do jogo “dentro da barriga do monstro”, re-inventando o melodrama como gênero e criando
uma estética notável que viria a ser a principal influência e referência criativa para cineastas
do porte de Rainer Werner Fasbinder, Pedro Almodóvar e Todd Haynes. Sirk se valeu de sua
sólida formação intelectual como diretor artístico e dramaturgo dos Teatros de Berlin,
Hamburgo e Bremen para promover uma crítica mordaz ao American way of life, utilizando
fontes tão diversas quanto a ironia euripidiana e a filosofia de Schopenhauer, além de seu olho
de pintor, como estratégias principais para a criação de uma obra cuja singularidade e
originalidade intrínsecas parecem crescer cada vez mais com o passar dos anos.

Unitermos: cinema, Douglas Sirk, história do cinema, melodrama.

Abstract
With the rise of the politique des auteurs in 1950s Paris, the importance of German director
Douglas Sirk’s work begins to be acknowledged. Although his earliest work was done at the
fabled UFA studios, Sirk fled from Germany in the teeth of the Nazi régime and emigrated to
the United States where, under apparently adverse conditions, he succeeded in subverting the
rules of the game from within the belly of the whale, reinventing the melodrama as genre and
creating a readily identifiable aesthetic that would become the most important reference in the
work of such film-makers as Rainer Werner Fassbinder, Pedro Almdóvar and Todd Haynes.
Sirk made use of his solid intellectual background as a theater director in Berlin, Hamburg
and Bremen to perform a biting critique of the American way of life by using sources as
diverse as Euripidean irony and the philosophy of Schopenhauer as strategies for creating a
body of work whose intrinsic uniqueness, originality and painterly qualities appear to grow
with the passage of time.

Uniterms: film, Douglas Sirk, film history, melodrama.

ÉDIPO E ORESTES: O JOVEM FREUD SEGUNDO SARTRE*
(ensaio)
OEDIPUS AND ORESTES: YOUNG FREUD ACCORDING TO SARTRE
* Apresentado em 24/10/2003 na Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, projeto “Psicanálise &
Cinema” após exibição do filme “Freud, além da alma”, dirigido por John Huston a partir de roteiro modificado
dos originais de Jean-Paul Sartre.
Autor: Luiz Fernando Gallego Soares, Membro Efetivo da SBPRJ

Resumo
O autor especula sobre a motivação que teria tido o filósofo e dramaturgo Jean-Paul Sartre
quando se empenhou na escrita de um roteiro cinematográfico tão extenso (e interminável)
sobre a vida e o pensamento de Sigmund Freud no período inicial da descoberta da
Psicanálise.
4
Tendo sido uma tarefa encomendada pelo cineasta John Huston, Sartre sempre menosprezou
este trabalho, dizendo que seu interesse havia sido apenas financeiro. O filme acabou sendo
realizado sem a assinatura de Sartre, embora o eixo central de sua concepção dramática seja
perceptível no resultado final que chegou às telas.
O filme não foi muito apreciado, mas a publicação do trabalho original de Sartre, depois de
sua morte, despertou interesse em vários psicanalistas, historiadores e filósofos sobre a visão
que Sartre desenvolveu sobre Freud, cujas idéias ele tanto havia criticado em diversas
oportunidades.
Neste trabalho estendemos a investigação para as motivações do cineasta John Huston que
tanto lutou para realizar este filme, enfrentando tantas adversidades, mas a principal hipótese
levantada é a de que o “Freud” ficcional que Sartre recriou ecoava o herói existencialista de
uma de suas primeiras peças teatrais.
Foram pesquisados alguns trabalhos de autores importantes que se debruçaram sobre o filme
de Huston e o roteiro de Sartre - mas que não formularam a hipótese aqui proposta.
O cruzamento das vidas de Freud, Sartre, Huston e de outras pessoas que participaram direta
ou indiretamente do projeto, inclusive contra sua realização (Anna Freud, especialmente) é
reportada e resumida num apêndice constituído de uma minuciosa cronologia que vai do
nascimento de Freud até a realização do filme, passando pelas vidas dos atores e mesmo de
filhos dos principais envolvidos neste projeto que pode ter marcado tantas trajetórias, direta
ou indiretamente.

Unitermos: Cinebiografia de Freud. Filme e roteiros. Existencialismo sartreano. Mitologia e
teatro gregos. Intersubjetividade.
Abstract
Speculations are brought forward about the motives that led the philosopher and playwriter
Jean-Paul Sartre to dedicate himself to the production of a very long (and almost
endless ) film-script about life and thoughts of Sigmund Freud in the first years of his
discovery of Psychoanalysis.
Sartre had always despised this work, written in order to obtain financial profit in compliace
to producer John Huston´s project. The movie was filmed without Sartre´s signature although
we can recognize Sartre´s hand in the central axis of its dramatic conception in the film that
reached the screen.
The movie was not a success, but with the publication of Sartre´s original text after the
philosopher´s death awoke great interest among various psychoanalysts and philosophers
about Sartre´s conception of Freud, whose ideas he had formerly criticized in various
occasions.
In the present article we have extended our investigation to the research on movie-maker John
Huston´s own motivations, who had to fight many difficulties to produce this film . Our main
hypothesis is that the fictional "Freud" recreated by Sartre was an echo of the existencialist
hero in one of his first plays.
Several articles by important authors who studied Sartre´s script and investigated Huston´s
film offered their own conclusions which differ from the one I here present.
The crossing between the lives of Freud, Sartre and Huston, plus others who took indirect or
direct part in the project, including those that were against its realization ( Anna Freud in
particular ) is described in a summary that is included as an appendix that offers a thorough
chronology that starts with Freud´s birth until the movie was ready, including the lives of
actors and even of the children of the chief participants involved in this project which may
have influenced, directly or indirectly, and left a mark on the life-story of various people.
5

Uniterms: Freud filmbiography. Movies and Scripts. Sartrean Existencialism. Mythology
and Greek theatre. Intersubjectivity

OS VISITANTES DA NOITE - UMA PARÁBOLA SOBRE PETRIFICAÇÕES
NIGHT VISITORS – AN ALLEGORY ABOUT PETRIFICATIONS IN
PSYCHOANALYSIS
Autor: Glaucia Dunley, Psicanalista, médica UFRJ), mestre em Teoria Psicanalítica (UFRJ),
doutora em Comunicação e Cultura (UFRJ); professora universitária.

Resumo
Inspirada no filme OS VISITANTES DA NOITE, de Marcel Carné, 1942, uma parábola
contra as forças totalitárias vigentes durante a ocupação da França pelos alemães, pretendo
introduzir neste artigo três conceitos pertencentes à filosofia de Nietzsche – o niilismo, a
vontade de poder e o pensamento do eterno retorno – que funcionam aqui como operadores na
leitura que faço da obra de Freud. Minha perspectiva é que estes conceitos–portadores de
estranheza possam fazer vacilar nossas certezas, nossas petrificações como psicanalistas
instituídos ou não, e nos ajudar a refletir sobre os destinos e devires da psicanálise.

Unitermos: Estranheza – Petrificações – Psicanálise – Niilismo – Vontade de poder.

Abstract
Inspired by Marcel Carné’s movie “Les visiteurs du soir”, an allegory against the totalitarian
power present in France during German occupation in the second world war, I intend to work
in three concepts belonging to Nietzsche’s philosophy – niilism, will for power, and eternal
recurrence – which shall be the operators in my critical reading of Freud’s work and of the
actual state of psychoanalysis. My objective is that these concepts, owners of strangeness,
might provoke the passage of our certainties (that I called “petrifications”) to uncertainties,
stimulating the raise of the radical doubt in order to obtain a productive knowledge in
psychoanalysis, and also help us to reflect about its destiny and future.

Uniterms: Strangeness – Petrifications – Psychoanalysis – Niilism – Will for power

HELENE E FRANK: UM AMOR VIRTUAL?

Considerações sobre o filme Nunca te vi , sempre te amei
HELENE AND FRANK: A VIRTUAL LOVE?

Considerations on the film “84 Charing Cross Road”
Autor: Áurea Maria Lowenkron, Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de
Janeiro. Doutora em Ciências da Saúde pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Professora do Departamento de
Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Resumo
Este artigo analisa alguns aspectos do filme “Nunca te vi, sempre te amei” e do
Livro autobiográfico de Helene Hanff, 84 Charing Cross Road, sobre o relacionamento baseado em cartas entre essa mulher norte-americana e um homem inglês, Frank Doel, que jamais se encontraram pessoalmente. Tomando como referência a teoria freudiana da libido (Eros,
amor) e a abordagem filosófica de Pierre Lévi do conceito de virtual, o trabalho discute se a
relação não-presencial entre os protagonistas poderia ser considerada como uma história de
amor virtual ou como a história de uma relação consistente de amizade que perdurou por vinte
anos, até a morte de Frank. Considerada como um valor importante em tempos antigos, a
amizade não foi um tema relevante na Idade Moderna. Na atualidade, as pessoas parecem
estar novamente interessadas nesse assunto e, talvez, esta tenha sido uma razão importante
para o sucesso do filme.

Unitermos: Psicanálise e cinema, relações virtuais, libido, amizade
Abstract
This paper analyzes some aspects of the film “84 Charing Cross Road” and the
autobiographical book of Helene Hanff, which were about a relationship based on exchange
of letters between her, an American woman, and an English man, Frank Doel, who never met
each other. Considering Freudian psychoanalytical theory of libido (Eros, love) and Pierre
Lévy philosophical approach to the concept of virtual, this paper discuss if the non-presential
relationship between the protagonists could be considered as a virtual love story or as a story
of a consistent friendship that continued for twenty years until Frank’s death. Considered as
an important value in ancient times, friendship has not been a relevant theme during the
Modern Age. Nowadays, people seem to be interested in this subject again and, perhaps, this
is a good reason for the success of the film.

Uniterms: Psychoanalysis and cinema, virtual relationship, libido, friendship

UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA
A PORNOGRAPHIC RELATIONSHIP
Autor: Edna Vilete, Membro efetivo e didata da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro.

Resumo
A autora descreve o filme como uma história de enamoramento e desencontro amoroso.
Recorre, para sua compreensão, ao trabalho de Harry Guntrip sobre as personalidades
esquizóides e o seu medo de amar. Concorda com o diretor quando diz: “É fácil falar sobre
sexo, hoje em dia, mas não é tão fácil falar sobre intimidade, é quase pornográfico.”

Unitermos: esquizóide, sexo, cisão, medo, amor.

Abstract
The author describes Frederic Fonteyne’s film as a story about falling in love and its mishaps.
To better understand this, she refers to Harry Guntrip’s work on schizoid personalities and
their fear of loving. She also agrees with the director when he says that “it’s easy, nowadays,
to talk about sex, but no so easy to talk about intimacy, it’s quite pornographic”.

Uniterms: schizoid, sex, split, fear, love.

O TRAUMA E SUA ELABORAÇÃO PSÍQUICA EM “ADEUS, LENIN”
(TRAUMA AND ITS PSYCHIC ELABORATION IN "GOOD BYE, LENIN")
Autor: Bernard Miodownik, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro

Resumo
O trauma psíquico foi visto inicialmente na Psicanálise como resultante de um fator causal
externo e posteriormente como oriundo de fontes pulsionais e fantasias inconscientes. A partir
da teoria das relações objetais, o trauma passa a ser entendido a partir da sua dinâmica
interno-externo, principalmente a incorporação que o indivíduo faz da vivência traumática
para servir a necessidades narcísicas. Este aspecto é ilustrado por uma vinheta clínica.
Ressalta-se que para haver um processo de elaboração psíquica no sentido psicanalítico, o
trauma não pode ser considerado como algo estranho que precisa ser excluído da mente, tal
como entende a Psiquiatria com o conceito de stress pós-traumático. Discute-se como esta
questão se coloca a partir de traumas externos de características catastróficas, cujo modelo de
estudo mais conhecido é o dos sobreviventes do Holocausto. A partir desta base teórica faz-se
um estudo do filme “Adeus, Lenin” de Wolfgang Becker no qual o externo que causa traumas
7
é utilizado tanto como defesa contra o reconhecimento de vivências traumáticas internas
quanto como veículo para a elaboração psíquica destas vivências.

Unitermos: Trauma psíquico. Trauma e relações objetais. Psicanálise e cinema.

Summary
Initially in Psychoanalysis psychic trauma was seen as resulting from an external causing
factor and later as originating from drive sources and unconscious fantasies. Starting with
object relations theory trauma begins to be understood from its internal-external dynamics,
especially the incorporation by the individual of the traumatic experience to serve narcisistic
needs. This aspect is illustrated by a clinical fragment. It is highlighted that for a process of
psychic elaboration in the psychoanalityc sense to take place, the trauma cannot be considered
as something strange to be excluded from the mind, as understood by Psychiatry with the
concept of post-traumatic stress. It is discussed how this issue is placed from external trauma
with catastrophic features, the most known study model being survivals of the Holocaust.
Starting from this theoretical basis a study of the movie "Good by, Lenin" by Wolfgang
Becker is made, where the external causing trauma is used as a defense against awareness of
traumatic internal experiences as well as a vehicle for psychic elaboration of these
experiences.

Uniterms: Psychic trauma. Trauma and object relations. Psychoanalysis and movies.

MINORITY REPORT
A NOVA LEI (2002)

Autor: Carla Maria Pires e Albuquerque Penna, Psicanalista do Círculo Psicanalítico do Rio de
Janeiro. Presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia de Grupo ABPG. Presidente da Sociedade de
Psicoterapia Analítica de Grupo do Estado do Rio de Janeiro. Especialista em Psicoterapia Infanto-Juvenil pelo

Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Resumo
Este trabalho comenta idéias veiculadas no filme de ficção científica Minority Report
(Dreamworks, 2002) de Steven Spielberg. Correlaciona o funcionamento mental dos
personagens descritos como ”pré-cogs”, com as idéias de constituição do aparelho psíquico,
apresentadas por Freud no Projeto para uma Psicologia Científica de 1895, com as atuais
descobertas das Neurociências. Explora a interface entre a Psicanálise e as Neurociências,
preservando as inerentes diferenças e especificidades de cada ramo de conhecimento.
Discute ainda como a violência e o crime são abordados no futuro ficcional de Spielberg.

Unitermos: Aparelho Psíquico, Projeto de 1895, Neurociências, Direito Penal.

Abstract
This paper freely associates the ideas from Steven Spielberg’s scientific fiction film Minority
Report (Dreamworks 2002). It correlates the mental function of the described characters as
“pre-cogs” with the ideas of the development of the psychic apparatus presented by Freud in
the 1895 Project for a Scientific Psychology with the Neurosciences discoveries. The paper
explores the interface between Psychoanalysis and Neurosciences, keeping the differences
and particularities of each way of knowledge. Discusses violence and crime as they are
shown in the Spielberg’s fictional future.

Uniterms: Psychic Apparatus, 1895’s Project, Neurosciences, Law.

UMA FICÇÃO SOBRE AS POSSIBILIDADES DO SER: CIDADE DOS SONHOS
A FICTION ABOUT THE POSSIBILITIES OF THE BEING: MULHOLLAND DRIVE
Autor: Letícia Tavares Neves, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de
janeiro. Membro fundador da Associação Brasileira para Estudos da Psicologia Psicanalítica do Self.

Resumo
Este artigo tem como base e inspiração o filme Cidade dos Sonhos, (Mulholland Drive)
dirigido por David Lynch. A autora dividiu-o em duas partes: a primeira parte é composta
pela descrição do filme tal como foi visto pela autora e, a seguir, o filme é tratado como um
caso clínico tendo como embasamento teórico textos freudianos e o conceito de “sonhos de
estados do self” de Heinz Kohut.

Unitermos: Psicanálise e Cinema, Cidade dos Sonhos, sonhos de estados do self, narcisismo.

Abstract
This article has the film Mulholland Drive, directed by David Lynch, as it’s base and
inspiration. The author has chosen to divide it in two parts: The first one is composed of the
film as it was seen by the author and following it the film is treated as a clinic case. This paper
is based on the texts from Freud and on the concept of “self-state dreams” from Heinz Kohut.

Uniterms: Psychoanalyze and Movie, Mulholland Drive, self-state dreams, narcissism.

Ensaio e notas sobre “ENSAIO DE UM CRIME”, filme de Luís Buñuel
Roberto Bittencourt Martins

Resumo
O autor busca trilhar algumas linhas de compreensão psicanalítica a respeito do filme “Ensaio
de um Crime” (“La vida criminal de Archibaldo de la Cruz”, México,1955) de Luis Buñuel.
Reconhecendo o caráter subjetivo, amplo, aberto e mutável dessa visão fundamentada na
psicanálise, procura também reuni-la às idéias do genial cineasta surrealista, expressas não
somente nos depoimentos de Buñuel sobre o filme como também em sua auto-biografia “Mi
Último Suspiro” (Barcelona, 1982).
Unitermos: Cinema e Psicanálise – Surrealismo – Buñuel – Filme “Ensaio de um Crime”.

Abstract
The author tries to follow some lines of psychoanalytic comprehension about the movie
"Ensaio de um Crime" ("La vida criminal de Archibaldo de la Cruz", Mexico, 1955) of Luis
Buñuel. Recognizing the subjective, ample, open and mutable character of this vision
grounded on psychoanalysis, it also searches to reunite it with the ideas of the genial surrealist
movie director, expressed not only in the testimony of Buñuel about the movie but also in his
autobiography "Mi Último Suspiro" (Barcelona, 1982).

Uniterms: Movies and Psychoanalysis, Surrealism, Buñuel, Movie “Ensaio de um Crime”
( “La vida criminal de Archibaldo de la Cruz”).

O SEMBLANTE NO CINEMA
(LE VISAGE AU CINEMA*)
THE FACE IN THE MOVIES
Autor: Pierre Sullivan, Psicanalista aderente da Sociedade de Psicanálise de Paris e professor de Psicologia
na Universidade Paris VII.
Tradução: Admar Horn, Psicanalista, Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de
Janeiro (SBPRJ ); Membro Afiliado da Société Psychanalytique de Paris
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Resumo
O autor descreve o fascínio que o cinema exerceu sobre o cineasta Bergman desde a
sua infância, contagiando-o para sempre.
A problemática da luz é colocada em discussão.
Através da análise criteriosa de seus filmes espirituais, entre os quais Gritos e
Sussurros é emblemático podemos constatar uma exploração bastante profunda da imagem.
Colocando entre parênteses o seu vasto saber cinematográfico , Bergman libera o
espaço onde a sua visão se impõe.
O cinema, em particular o de Ingmar Bergman, é uma exploração do rosto, figura da
alma e do espírito. "Gritos e sussurros" descreve quatro faces, quatro formas espirituais
(histeria, obsessão, melancolia, onirismo) que resumem o ser psíquico do século vinte, idade
de ouro do cinema e da psicanálise.

Unitermos: Infância, luz, sombra, imagem, cinema espiritual, angústia feminina, rosto,
cinema, onirismo.

Abstract
The author describes the fascination that the cinema exercised on the movie maker
Bergman since childhood, contaminating him forever.
The issue of light is placed in discussion.
Through careful analysis of his spiritual movies, among them Gritos e Sussuros, it is
emblematic to be able to verify a deep examination of the image.
Putting in parenthesis his vast cinematographic knowledge, Bergamn liberates the
space where his vision imposes itself.
The Cinema, and Ingmar Bergman’s in particular, tries to explore the human face as a
figure of the soul and the mind. “Cries and whispers” shows four faces, four different spiritual
forms (hysteria, obsession, melancholy, dream) who encompass man’s psychic being in the
last twentieth century, golden age of movie and psychoanalysis.

Uniterms: Childhood, light, shadow, image, spiritual movie, feminine anxiety, face, movie,
dream.

A JANELA DA ALMA E DO CORPO - PSICANÁLISE E CINEMA
A JANELA DA ALMA E DO CORPO - PSYCHOANALYSIS AND THE CINEMA
Autor: Dinara G. Machado Guimarães, Psicanalista. Mestre e Doutora pela Comunicação da UFRJ.
Autora dos livros, Vazio iluminado: o olhar dos olhares - Psicanálise e Cinema. Rio de Janeiro: Garamond,
2004 (2a ed.), p.145; Voz na luz - Psicanálise e cinema. Rio de Janeiro: Garamond, 2004, p. 185.

Resumo
Este ensaio mostra como o documentário, Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho,
transborda o “olhar”, mesmo que o objetivo dos diretores esteja restrito ao “ver”, na
deficiência visual.

Unitermos: olhar - ver - pulsão escópica - corpo

Abstract
This essay shows how the documentary Janela da Alma by João Jardim
and Walter Carvalho, overflows the "looking", even though the directors'
view is restricted to the "seeing" in visual deficiency.
Uniterms: look - see - scopophilic drive - body
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DIAS DE NIETZSCHE EM TURIM
DAYS OF NIETZSCHE IN TURIN
Autor: Rosa Maria Dias, Professora adjunto do Departamento de Filosofia da Uerj.

Resumo
O objetivo do texto é fazer uma análise da compreensão que Julio Bressane tem da
filosofia de Nietzsche em seu filme Dias de Nietzsche em Turim.
Toda a seqüência da câmera invertendo as perspectivas, desabotoando a camisa do
ator, girando através de seu corpo, desestruturando-o, ao som do adágio da Nona Sinfonia de
Beethoven, é uma forma magistral de traduzir o pensamento que Nietzsche expressa em O
nascimento da tragédia: o aparecimento de Dioniso.

Unitermos: Turim, Dioniso, eterno retorno, tragédia.

Abstract
The aim of this text is to make an analysis of understanding that Julio Bressane has of
Nietzsche’s philosophy in his film Days of Nietzsche in Turin.
The camera sequence inverts the perspectives, undoing the actor’s shirt, then spins
around his body, disfiguring it, in order to show Nietzsche’s state of euphoria. All that to the
sound of Beethoven’s Nine Symphony. This is a grand way to translate the thoughts
expressed by Nietzsche in The Birth of Tragedy: de emergence of Dionysius.

Uniterms: Dionysus, Turin, eternal recurrence, tragedy.